LorOooTas

Tudo o que dá na telha eu escrevo (tento fazer isso de forma decente, é claro) aqui, então, não se assuste ao ler, pq dessa cachola sai cada coisa...

LorOooTas

Tudo o que dá na telha eu escrevo (tento fazer isso de forma decente, é claro) aqui, então, não se assuste ao ler, pq dessa cachola sai cada coisa...
<  Novembro 2009  >
S T Q Q S S D
            1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

31.10.08

Eu? Grande?

Experiência - parte II

São 2 h. da manhã:
(Como estávamos em um grupo, o “nós” significa um dos meus amigos, escrevi assim para o texto não ficar confuso)

Nós: Oi, o sr. quer um pouco de leite e pão?
Ele: (sonolento, barbudo, deitado e coberto por um fino lençol azul em cima de alguns pedaços de papelão, carregava uma mochila nas costas como alguém sempre vigilante em suas coisas ou pronto para partir, um marmitex meio aberta ao seu lado) Huuummm, aceito sim.
Silêncio.
Nós: Tudo bem com o sr? - pergunta feita por simples força do hábito
Ele: Ahan
Nós: Qual o seu nome?
Ele: Gilvandro. - disse isso levantando um pouco o rosto, como quem exibe algo que realmente tem, o nome.
Nós: O senhor não tem família?
Silêncio. Se ouve apenas o barulho da sua mastigação. Ele começou a despertar de verdade.
Ele: Tenho sim.
A manteiga do pão suja sua barba por fazer. Um barulho de “glut”, desce o último gole de leite do seu copo..
Nós: E por que o sr. não procura sua família?
Silêncio com mastigação de novo.
Ele: Quer saber mesmo por quê? Eu vou ser bem sincero...
Olha o nada. O pão e o leite acabou.
Nós: O sr. quer mais um pão?
Ele: Huuum... eu aceito.
Um de “nós” se movimenta rapidamente, mais um pão e um copo de leite.
Nós: E então? Por que o sr. não procura sua família?
Ele: Porque eu sou um covarde.

Daí pra frente eu não prestei muita atenção no que meu amigos conversavam, porque fiquei com um ponto de interrogação gigante na cabeça. Como é que uma pessoa admite em voz audível que é um covarde?
Analisei de novo o Sr. Gilvandro.
Perto da sua cama de papelão havia um porrete de meio metro, ele permaneceu com sua mochila nas costas durante toda nossa conversa, como quem está sempre pronto a partir.
Seria ele mesmo um covarde? Será que ele realmente se deixou levar a tal ponto? Me bateu uma tristeza. Vi o quanto eu sou egoísta, às vezes, até por coisas fúteis que se consegue fácil. Mas dignidade? Isso é bem diferente, não há dinheiro que compre e nem dá pra pedir emprestado.
Por fim, nós pedimos o telefone da família dele e dissemos que iríamos ajudá-lo a ver a família de novo, ele tem uma filha da minha idade. Fiquei imaginando o que se passa na cabeça dessa guria, ou não passa... ela ignora.
Por fim, na segunda-feira liguei para a mãe da filha dele e pra minha surpresa ela se mostrou preocupada e antes que eu me apresentasse ela perguntou se havia acontecido alguma coisa com ele. batemos até que um papo amigável, disse o que ele pediu, que queria vê-las antes do final do ano. E também a pedido dele não disse que estava na rua, ele sente vergonha de si mesmo.
Com palavras eu não vou saber descrever o que aprendi, é algo muito individual, não fiquei só sensibilizada, fiquei aflita também, aflita por saber que podemos chegar a tal ponto de desprezo por nós mesmos, pelos outros, pela vida...

28.10.08

Experiência - parte I

Olá queridos

Estive ausente por um único motivo. Estava sem paz.
Isso, paz. paz interior e com um enorme mal estar. Não fazia a mínima idéia do que escrever. embora eu tenha alguns textos guardados, eu não quis postar nenhum, porque não estava no clima.
Desde já agradeço aos que passaram por aqui, me desculpo pelas visitas não feitas e mesmo eu não escrevendo eu consegui ler alguns post que me fizeram muito bem.

Eis os fatos que me deixaram tão aflita.
A carnificina em que se a impressa se tornou durante os últimos 15 dias.
Um homem morador de rua.

Estava conversando com minha mãe sobre os acontecimentos deste ano – que entitulamos como “o ano bárbaro” - as coisas absurdas que acontecera, os crimes familiares, sobre como certas pessoas não tem respeito por absolutamente nada. O que me fez ler somente o caderno “Ilustrada” da Folha de São Paulo diariamente, por enquanto não quero ver o resto. Não me entenda mal, não estou querendo fechar os olhos para o que acontece, simplesmente não suporto mais. É isso. Essa carnificina me causa náuseas.
E o que me deixa mais chateado é que a gente está se acostumando com essas notícias macabras. Dias após dia surge algo pior e a gente esquece do que aconteceu anteriormente. Porque um crime consegue superar o outro. Uma maldade supera a outra. E assim vamos vivendo como se nada tivesses acontecido. chegamos a pensar “bem se nada acontecer atrás da minha casa murada, das minhas janelas cheias de grades, tudo bem. Estou bem assim.”
Bah! Fiquei bastante revoltada. Mas aí pensei na quantidade de revoltados inúteis que tem por aí. Estava me tornando mais uma.
Foi aí que surgiu uma oportunidade pra eu deixar de ser a “revoltada inútil”. A igreja da qual faço parte tem um grupo sai aos sábado de madrugada para servir café e pão para os moradores de rua. Na verdade eles mais ouvem o que as pessoas tem a dizer, o café, pra quem os recebe nem é tão importante, acho que eles necessitam de alguém pra conversar de verdade. Eu tinha ido uma vez, há quase um ano atrás, mas me senti um pouco mal, acho que não estava preparada para encarar a realidade, como posso dizer... tão de frente.
Mas neste último sábado decidi ir de novo. Foi completamente diferente.
Bom, a história é longa e eu estou quase sem tempo para contar os pormenores. É sobre um homem, um morador de rua em especial, que irei falar no próximo post. A história mexeu comigo, não só de forma emotiva, lá na hora em que estava na frente dele, mas de forma reflexiva. Foi uma experiência que estou remoendo até agora.

E como vêem estou animada para escrever novamente. (segundo as novas normas da língua portuguesa, “vêem” tem acento? rssr)

Afagos à todos.

24.10.08

Brincar de viver

Quem me chamou?
Quem vai querer
Voltar pro ninho
Redescobrir seu lugar...
Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar...
Você verá que é mesmo assim
Que a história não tem fim
Continua sempre que você
Responde "sim"
A sua imaginação
A arte de sorrir
Cada vez que o mundo
Diz "não"...
Você verá
Que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver...
Não esquecer
Ninguém é o centro do universo
Assim é maior o prazer..
E eu desejo amar
A todos que eu cruzar
Pelo meu caminho
Como eu sou feliz
Eu quero ver feliz
Quem andar comigo...
Vem!
Agora é brincar de viver!

(Guilherme Arantes)

17.10.08

Café, fone e... pássaros?

Resolvi mudar de tática.
Optei por fazer meus trabalhos escolares de madrugada, ao invés de ficar até as 2 da manhã estudando (chego em casa as 00:30), agora faço o contrário, durmo depois que chego e acordo as 4:30 da manhã quando preciso para estudar ou fazer algum trabalho. porque calhou de eu dormir em cima da mesa e não prestar atenção no que estava fazendo ou lendo, e deu certo meu método, aliás me fez até bem.
Mas além do modo prático e menos sonolento, algumas coisas não tinha como passar desapercebidas por mim.

O silêncio
O canto dos pássaros
O amanhecer laranja

O silêncio da madrugada é penetrante e confortável, não sei se é porque eu gosto do silêncio bruto e puro, aquele em que você ouve seu corpo trabalhando, ou se é realmente assim que as pessoas o sentem, apesar de algumas terem medo de um total silêncio.
Bem, como tinha que acordar sem acordar ninguém coloquei o fone de ouvido, porque ouvir música é a primeira e a última coisa que faço no dia.
Enquanto fazia um café - eu acredito que café funciona para o sono – iniciei meu “mede daqui mede de lá” com as as réguas e minha papelada em cima da mesa o primeiro pássaro cantou, e depois parecia que esse primeiro tinha despertado uma ninhada... Tirei os fones para ouvir melhor, fazia tempo que não ouvia canto de tantos pássaros juntos. abri a janela devagar pra não espantá-los com o barulho, dei uma espiadinha, estava amanhecendo e qual no foi a minha surpresa?
O sol estava nascendo. Grandão, alaranjado e radiante! Senti o primeiro calor da manhã. E como eu gosto da primavera, embora a minha flor preferida seja do inverno.
Acho que por alguns instantes esqueci do meu trabalho, de que estava em casa, de tudo à minha volta, só sentia os primeiros raios de calor e ouvia os pássaros invadindo meu silêncio.
Isso talvez viraria poesia se eu tivesse o dom do Helinho ou do Adhemar, viraria tema para questionamento introspectivo se a Babi com seu faro sensível e jornalístico escrevesse, poderia ser uma música se fosse escrito pela Laís M. M. M., já Candy colocaria um pouquinho de seu humor e versatilidade. (todos amigos blogueiros)
Mas eu quis só observar, sentir e ouvir.
Para todas as coisas existe algo e alguém certo, sou de procurar, observar, 'viajar” e compartilhar.
Falando nisso, lembrei do trecho de uma música que gosto muito:

'Para Capitú, Machado
Para uma mulher, Clarice
Para Guimarães, Brasil
Na terceira margem do rio”
(Para todas as coisas – Ana Cañas)

E para a Érica, como faz para entender?